Um odor corporal ácido nem sempre é motivo de preocupação, mas deve ser observado com atenção, especialmente se surgir de forma repentina e intensa.
Odor corporal ácido: possíveis causas
O nosso suor é inicialmente inodoro. Só através da interação das bactérias na nossa pele, que decompõem as proteínas e os ácidos gordos do suor, é que surge o odor corporal típico. No entanto, um odor ácido pode indicar várias causas que vão além do processo normal de transpiração.
- Alimentação e digestão: A alimentação tem uma influência significativa no nosso odor corporal. Alimentos muito condimentados ou ricos em gordura, como alho, cebola, caril ou pratos picantes, podem alterar o odor, tornando-o ácido. O álcool — especialmente vinho e cerveja —, bem como certas intolerâncias alimentares (por exemplo, intolerância à lactose ou má absorção de frutose) também podem influenciar o metabolismo e causar um odor ácido perceptível.
- Alterações hormonais: Alterações no equilíbrio hormonal, por exemplo, devido à puberdade, gravidez ou menopausa, têm frequentemente uma influência no odor do nosso suor. As flutuações hormonais podem aumentar a atividade das glândulas sudoríparas e alterar a flora bacteriana da pele, o que resulta num odor mais intenso e invulgar.
- Stress e emoções: O stress ativa as glândulas sudoríparas apócrinas, que produzem uma quantidade especialmente elevada de suor nas axilas, nas palmas das mãos e nas solas dos pés. Este tipo de suor contém mais proteínas e lípidos, o que o torna a «fonte de alimento» perfeita para as bactérias. Se tiver stress prolongado, o seu suor pode adquirir um odor mais ácido e desagradável.
- Infecções e doenças: Às vezes, o odor corporal ácido pode ser um sinal de infecção. Infecções fúngicas na pele ou no sistema digestivo, como a candidíase, podem causar um odor ácido desagradável. Certas doenças metabólicas, como diabetes ou disfunções hepáticas e renais, também alteram os processos químicos do corpo, o que pode resultar num odor corporal incomum.
Quando o odor corporal ácido se torna um sinal de alerta
Uma ligeira alteração no odor corporal após comer alimentos picantes ou em caso de nervosismo é geralmente inofensiva. No entanto, se o odor mudar repentinamente, persistir por um longo período ou for acompanhado de sintomas como náuseas, cansaço, alterações na pele ou perda de peso, deve-se consultar um médico.
- Diabetes e cetoacidose: O diabetes mellitus mal controlado pode levar à cetoacidose diabética, uma emergência médica. Neste caso, o corpo decompõe mais gordura e produz corpos cetónicos. Estes provocam um odor adocicado e frutado, por vezes também ácido, que muitas vezes lembra o removedor de verniz das unhas (acetona). Em combinação com sintomas como sede intensa, náuseas, vómitos, dores abdominais ou confusão, é necessária assistência médica imediata.
- Doenças hepáticas e renais: O fígado e os rins são órgãos centrais de desintoxicação. Em caso de disfunções, os produtos metabólicos podem acumular-se no sangue e ser libertados através da pele. Isso pode causar um odor corporal ácido.
- No entanto, mais típico de doenças hepáticas avançadas é o chamado fetor hepático – um odor adocicado e pútrido que indica uma acumulação de amoníaco e outras toxinas. Sintomas associados, como icterícia, fadiga ou inchaço, devem ser avaliados por um médico.
- Doenças metabólicas: Doenças genéticas raras, como a trimetilaminúria (também conhecida como «síndrome do cheiro de peixe»), podem causar um odor corporal muito desagradável. Nesse caso, a substância trimetilamina, que normalmente é decomposta no fígado, é excretada sem alterações.
- O odor é mais parecido com o de peixe do que com o de azedo e intensifica-se após a ingestão de alimentos ricos em colina, como ovos, leguminosas ou peixe. As pessoas afetadas devem consultar uma clínica especializada em metabolismo.
- Fraqueza do sistema imunitário e infeções: Um sistema imunitário enfraquecido faz com que o corpo não consiga combater infeções de forma eficaz. Infeções da pele ou do trato digestivo também podem estar associadas a um odor corporal forte e azedo. Infrações fúngicas ou bacterianas, em particular, podem alterar o odor do suor e causar um cheiro desagradável devido a inflamações ou formação de pus.
Dica prática: mantenha um diário alimentar
Em caso de odor corporal ácido pouco claro ou recorrente, um diário alimentar pode ser útil.
- Desta forma, é possível identificar relações com determinados alimentos – especialmente vegetais sulfurosos (por exemplo, brócolos, couve, alho), álcool ou produtos pré-confecionados.
- Desta forma, também é mais fácil identificar intolerâncias individuais.
